Sertanejo…
Música caipira, música raiz, sertanejo romântico, sertanejo universitário.
Muitos são os rótulos para a música sertaneja que pode ser considerada o estilo
mais eclético e que tem a capacidade de unir os mais variados sons em suas
canções. Comemorado neste 3 de maio, “Dia do Sertanejo”, o gênero atravessou
décadas, conquistou gerações e nunca esteve tão em evidência tanto dentro
quanto fora do Brasil.
O Dia do
Sertanejo
Em 1960,
violeiros seguiam anualmente em romaria para a cidade de Aparecida (SP), para
assistir a um dia de missas. Quatro anos mais tarde, Geraldo Meireles, o
“Marechal da Música Sertaneja” (na época ele estava começando a surgir no
cenário sertanejo), propôs que os violeiros passassem a se encontrar todo ano
em uma mesma data, para que pudesse ser instituído o “Dia do Sertanejo”.
Com o apoio
da Rádio Aparecida e a aceitação dos violeiros, no dia 3 de maio de 1964,
Meireles levou a dupla Tonico & Tinoco para se apresentar na cidade e,
desde então, a data ficou registrada como “O Dia do Sertanejo”.
História

Ao longo de
sua história, iniciada ainda em torno de 1910, conforme o jornalista e escritor
Cornélio Pires retratou em seu livro “Sambas e Cateretês”, muitas foram as
influências musicais que ao longo dos anos foram incorporadas ao estilo
sertanejo. As primeiras duplas a se destacar no então cenário genuíno caipira
foram Zico Dias & Ferrinho, Laureano & Soares, Mandi & Sorocabinha,
Mariano & Caçula, Tônico & Tinoco, entre outras.
Gradualmente,
as modificações melódicas e temáticas (do rural para o urbano) e a adição de
novos instrumentos musicais, além da viola, consolidaram nas décadas seguintes
novos estilos na música.
Ainda no
início da carreira, Milionário & José Rico incorporaram o uso de elementos
da tradição mexicana mariachi com floreios de violino e trompete em suas
canções. Outras duplas continuavam a surgir, como Pena Branca & Xavantinho,
além do cantor Tião Carreiro – que logo depois faria dupla com Pardinho e
inovava ao fundir o gênero com samba e calango de roda.
Outra importa
transformação no estilo aconteceu com a dupla Léo Canhoto & Robertinho, que
inovou colocando o som da guitarra em suas canções. Na década de 80, os locais
dos shows da música sertaneja eram originalmente o circo, alguns rodeios e
principalmente as rádios AM. Já a partir da década de 1980, essa penetração
estendeu-se às rádios FM e também à televisão.
Artistas
como Sérgio Reis, Renato Teixeira, Trio Parada Dura, Chitãozinho & Xororó,
Leandro & Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano, Chrystian & Ralf, João
Paulo & Daniel, Chico Rey & Paraná, João Mineiro & Marciano, Gian
& Giovani, Rick & Renner, Gilberto & Gilmar, Roberta Miranda, entre
outros começavam a se despontar com canções românticas.
Discussões à
parte, foi a partir desse momento que a música sertaneja deixou de ser apenas
uma forma de mostrar lindas canções que retratavam a humildade e história do
homem do sertão para chamar atenção de empresários, investidores que viram na
música uma forma de ganhar dinheiro com o então “Sertanejo Universitário”.
O sertanejo
passa a receber tendências de vários estilos mais comerciais, como o country
americano, axé, pagode, funk, além de estilos com raízes mais populares, como o
“arrocha”. Tais misturas vêm sendo duramente criticadas, principalmente pelas
duplas mais antigas, por descaracterizar a música sertaneja em praticamente
todas as suas instâncias: letra, melodia e qualidade vocal.
Nesta nova
“fase da música sertaneja”, nomes como Guilherme & Santiago, Bruno &
Marrone, João Bosco & Vinícius, César Menotti & Fabiano, Jorge &
Mateus, Victor & Leo, Fernando & Sorocaba, João Neto & Frederico,
Gusttavo Lima, Luan Santana, Cristiano Araújo, Paula Fernandes, Michel Teló,
entre outros artistas ganham força e são destaque no mercado nacional e internacional.
É fato que a
música sertaneja, assim como tudo na sociedade, ao longo dos anos foi se
transformando. E, com isso, novos estilos foram inseridos ao som, muitos deles
para agradar ao consumismo do próprio público, que também se transformou. E,
nos próximos anos, a tendência é que o estilo siga mudando, se “atualizando”,
porém a essência e a raiz do estilo sertanejo, de décadas, estão cravadas na
história e fazem parte da geração de cada um.
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