Programa “ Viola Minha Viola” revela
a falta de respeito pela cultura caipira....
O fim do programa “Viola, Minha
Viola” não aconteceu agora. Na verdade, a decisão já era quase que sacramentada
com a morte de Inezita Barroso, ou mesmo antes dela, quando seu estado de saúde
se deteriorava rapidamente.
O que havia era um fio de esperança,
que também foi se desfazendo com a mesma velocidade. A primeira ideia para
tentar reverter a situação, antes que essa tênue linha se rompesse, foi a ideia
de fazer um tipo de transição, com alguns dos artistas que fizeram parte dos 35
anos da atração, de forma marcante. Nomes como Léu (Liu & Léu), Caim (Abel
& Caim), As Galvão, Cezar & Paulinho e Irmãs Barbosa, entre outros. O
objetivo era que cada um deles apresentasse uma edição do programa, levando
alguns convidados especiais. Na cabeça da equipe que comandava o programa, essa
transição, recheada de homenagens e enaltecendo sempre o trabalho de Inezita,
diminuiria a rejeição dos telespectadores que tinham forte identificação com a
apresentadora e também abriria caminho para a escolha de um nome em definitivo.
Apesar da tentativa, apenas dois
desses programas foram gravados, se não me engano com Léu e Caim, e
levados ao ar. Depois disso, a direção da emissora teria decidido por essa
retrospectiva que foi veiculada nos últimos domingos. Nos bastidores, ainda
havia a promessa de busca de um nome que pudesse definitivamente assumir o
programa. Especulou-se o nome de muita gente, e muitos outros fizeram lobby em
torno de seu próprio nome.
A verdade é que alguns dos preferidos
da direção estavam longe de poder assumir tal responsabilidade. Sérgio Reis era
um deles, mas a falta de tempo (Serjão conduz a carreira, apresenta programa de
rádio e ainda fica em Brasília durante boa parte da semana, com o papel de
deputado federal) seria um empecilho forte. Lima Duarte e Jackson Antunes também
foram cogitados, mas não seria fácil trazê-los, com status de globais, por
baixas cifras. Não há confirmação de que houve sequer um convite oficial para
qualquer um dos três.
Era questão de tempo para que as
piores notícias chegassem. Ontem (15) foi divulgada a demissão de mais de 50
colaboradores da TV Cultura, entre eles o do diretor da atração, Antonio
De Padua Prado Jr, o Nico.
Dívidas e corte de recursos por parte
do governo estadual seriam os responsáveis oficiais pelo fim do “Viola,
Minha Viola” e de outras produções da emissora, porém não os únicos culpados.
Mais do que uma situação econômica falimentar da TV estatal, fica clara a
falência dos princípios de uma emissora que tem em seu nome a palavra
“Cultura”. No ano em que o sertanejo já foi marcado por tantas notícias ruins,
mais uma triste e irreparável perda. Reflexo de um país que não tem memória e
respeito por um dos seus maiores patrimônios: a música caipira.
Carlos Guerra / Porteira Brasil
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