20 de jul. de 2015

NOTICIAS DO MUNDO SERTANEJO PROGRAMA VIOLA MINHA VIOLA REVELA A FALTA DE RESPEITO PELA CULTURA CAIPIRA

Programa “ Viola Minha Viola” revela a falta de respeito pela cultura caipira....

O fim do programa “Viola, Minha Viola” não aconteceu agora. Na verdade, a decisão já era quase que sacramentada com a morte de Inezita Barroso, ou mesmo antes dela, quando seu estado de saúde se deteriorava rapidamente.
O que havia era um fio de esperança, que também foi se desfazendo com a mesma velocidade. A primeira ideia para tentar reverter a situação, antes que essa tênue linha se rompesse, foi a ideia de fazer um tipo de transição, com alguns dos artistas que fizeram parte dos 35 anos da atração, de forma marcante. Nomes como Léu (Liu & Léu), Caim (Abel & Caim), As Galvão, Cezar & Paulinho e Irmãs Barbosa, entre outros. O objetivo era que cada um deles apresentasse uma edição do programa, levando alguns convidados especiais. Na cabeça da equipe que comandava o programa, essa transição, recheada de homenagens e enaltecendo sempre o trabalho de Inezita, diminuiria a rejeição dos telespectadores que tinham forte identificação com a apresentadora e também abriria caminho para a escolha de um nome em definitivo.
Apesar da tentativa, apenas dois desses programas foram gravados, se não me engano com Léu e Caim,  e levados ao ar. Depois disso, a direção da emissora teria decidido por essa retrospectiva que foi veiculada nos últimos domingos. Nos bastidores, ainda havia a promessa de busca de um nome que pudesse definitivamente assumir o programa. Especulou-se o nome de muita gente, e muitos outros fizeram lobby em torno de seu próprio nome.
A verdade é que alguns dos preferidos da direção estavam longe de poder assumir tal responsabilidade. Sérgio Reis era um deles, mas a falta de tempo (Serjão conduz a carreira, apresenta programa de rádio e ainda fica em Brasília durante boa parte da semana, com o papel de deputado federal) seria um empecilho forte. Lima Duarte e Jackson Antunes também foram cogitados, mas não seria fácil trazê-los, com status de globais, por baixas cifras. Não há confirmação de que houve sequer um convite oficial para qualquer um dos três.
Era questão de tempo para que as piores notícias chegassem. Ontem (15) foi divulgada a demissão de mais de 50 colaboradores da TV Cultura, entre eles o do diretor da atração, Antonio De Padua Prado Jr, o Nico.
Dívidas e corte de recursos por parte do governo estadual seriam os responsáveis oficiais  pelo fim do “Viola, Minha Viola” e de outras produções da emissora, porém não os únicos culpados. Mais do que uma situação econômica falimentar da TV estatal, fica clara a falência dos princípios de uma emissora que tem em seu nome a palavra “Cultura”. No ano em que o sertanejo já foi marcado por tantas notícias ruins, mais uma triste e irreparável perda. Reflexo de um país que não tem memória e respeito por um dos seus maiores patrimônios: a música caipira.
Carlos Guerra / Porteira Brasil

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